
Uma obra-prima da sátira política, que transfigura o clássico machadiano em um espelho contundente da ditadura. - O Estado de S. Paulo
Em um dos períodos mais sombrios da história brasileira, a decretação do AI-5 em 1968 mergulhou o país em uma noite de repressão brutal. Roberto Schwarz, então professor de teoria literária na USP e alvo da ditadura militar, viu-se forçado ao exílio na França. Contudo, antes de partir, em um esconderijo improvisado, encontrou inspiração na releitura de clássicos como "O Alienista", de Machado de Assis.
Dessa experiência nasceu "A Lata de Lixo da História", uma chanchada política em treze cenas que transfigura a obra machadiana em uma mordaz sátira ao regime militar. Schwarz traça paralelos incisivos entre o terror imposto pelo Dr. Simão Bacamarte em Itaguaí e a arbitrariedade dos militares, que, sob a fachada de ordem, aprisionavam mentes e corpos.
Esta obra não é apenas uma peça teatral, mas um documento vivo da resistência intelectual, um grito de indignação disfarçado em humor ácido. É um convite à reflexão sobre o poder, a loucura e a resiliência do espírito humano diante da opressão, revelando como a arte pode ser uma arma potente contra a tirania. Uma leitura essencial para compreender a complexidade daquele período e a genialidade de um dos maiores críticos brasileiros.
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