
Uma análise perspicaz e fundamental sobre a história da loucura no Brasil e suas intersecções com a política e a sociedade.
“Cidadelas da Ordem: A Doença Mental na República” é um estudo histórico profundo que desvenda a complexa trajetória da loucura no Brasil, desde o século XIX até o início do regime republicano. A autora, Maria Clementina Pereira Cunha, explora como a percepção social dos “diferentes” — outrora vistos como personagens pitorescos e aceitos nas ruas — transformou-se drasticamente, culminando na institucionalização e medicalização da doença mental.
A obra mergulha nas nuances políticas e sociais que moldaram essa transição, revelando como a chegada da República influenciou a criação de “cidadelas da ordem”, como os hospícios, onde os “loucos” eram segregados e tratados por especialistas. Através de uma análise rigorosa, o livro questiona as motivações por trás dessa mudança paradigmática, que redefiniu a loucura como uma ameaça à ordem social e um objeto de controle.
Com uma narrativa envolvente e baseada em pesquisa sólida, Cunha apresenta casos emblemáticos, como o do “Príncipe Obá II da África”, para ilustrar as tensões entre a liberdade individual e as imposições de um novo sistema político. Este livro é essencial para compreender as raízes históricas da psiquiatria brasileira e as implicações sociais da medicalização da mente.
Uma leitura indispensável para historiadores, sociólogos, profissionais da saúde mental e todos aqueles interessados em entender como a sociedade lida com a alteridade e o desvio da norma.
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