
Uma análise histórica e conceitual indispensável para compreender as complexidades do capitalismo. - Le Monde Diplomatique
Em "Capitalismo", Claude Jessua empreende uma análise rigorosa e fascinante sobre a origem e a evolução de um dos conceitos mais centrais e controversos da história moderna. Longe de ser uma ideia monolítica, o autor revela como o termo foi cunhado no século XIX por socialistas franceses, como Proudhon, que o empregavam para descrever e criticar o sistema econômico e social de sua época, associando-o a noções de injustiça e exploração. Curiosamente, figuras como Marx e Engels preferiam a expressão "modo de produção capitalista", o que sublinha a complexidade inicial do debate.
Jessua traça a jornada do "capitalismo" de um neologismo pejorativo a um conceito com respeitabilidade acadêmica, impulsionada por historiadores e sociólogos proeminentes do século XX, como Werner Sombart, Max Weber e Joseph Schumpeter. A obra explora como o termo se desvencilhou de sua carga polêmica para se tornar um objeto de estudo sério, permitindo uma compreensão mais matizada de suas implicações.
O livro também mergulha na figura do "capitalista", que desde o século XVIII já era compreendida em dois sentidos: o possuidor de capitais financeiros e o empresário que os investia para o crescimento. Essa distinção fundamental entre os detentores de capital e os assalariados, observada por pensadores como Adam Smith e Turgot, é crucial para entender as dinâmicas socioeconômicas que definem o sistema. Uma leitura essencial para desvendar as raízes intelectuais e as múltiplas facetas do capitalismo, oferecendo uma perspectiva histórica e conceitual indispensável.
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