
Uma farsa genial que desnuda a hipocrisia social com a acidez inconfundível de Nelson Rodrigues.
“Viúva, Porém Honesta” é uma das mais emblemáticas “farsas irresponsáveis” de Nelson Rodrigues, uma obra que transborda crítica social e humor ácido. A trama se desenrola em torno do Dr. J.B. de Albuquerque, um inescrupuloso magnata da imprensa, que convoca uma reunião insólita para resolver o “problema” de sua filha. A mesa reúne figuras tão díspares quanto um médico, um psicanalista, uma cafetina e até mesmo o Diabo, todos para discutir a peculiar condição da jovem.
A filha do Dr. J.B., antes uma esposa adúltera, agora se recusa a sentar após a morte de seu marido, Dorothy Dalton – um crítico de teatro delinquente juvenil e homossexual, forçado a se casar com ela. Essa “viúva respeitosa” se torna o epicentro de uma sátira mordaz às instituições sociais, à hipocrisia burguesa e aos valores morais da época.
Nelson Rodrigues utiliza a peça como um desabafo contundente contra a medicina, a psicanálise, o jornalismo e, em especial, a crítica teatral. Com diálogos afiados e situações absurdas, o autor expõe as contradições humanas e a futilidade das convenções sociais, criando personagens que se tornariam arquétipos em sua vasta obra. Uma comédia trágica que permanece relevante, questionando a verdadeira face da honestidade e da moralidade em um mundo de aparências.
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