
Uma obra-prima de ficção histórica e psicológica, premiada como o melhor romance publicado na Espanha.
Em "Vinte Anos e Um Dia", Jorge Semprún nos transporta para a Espanha de 1956, onde as cicatrizes da Guerra Civil ainda sangram. Na província de Toledo, uma família aristocrática mantém um ritual macabro: a cada ano, encenam o assassinato de um parente ocorrido vinte anos antes, no início do conflito. Este ato simbólico serve como um lembrete cruel da derrota dos "vencidos" e da natureza "assassina" dos oponentes de Franco.
Nesse cenário carregado de história e segredos, um historiador americano e um delegado de polícia – este último à caça do comunista Federico Sánchez, pseudônimo do próprio Semprún em sua militância clandestina – convergem para a fazenda. Ambos buscam desvendar a complexa teia de eventos que envolve a família, especialmente a enigmática viúva Mercedes Pombo. A narrativa se aprofunda nas paixões humanas e nas convenções sociais da época, enquanto o autor tece um jogo fascinante entre ficção e realidade.
Semprún, um sobrevivente de Buchenwald e ex-dirigente do PC espanhol, utiliza sua própria experiência para explorar a repressão da Espanha franquista e a resistência daqueles que desafiavam o regime. A obra é um mergulho profundo na memória histórica, na política e nas complexidades da identidade, com personagens que interagem com figuras reais como Ernest Hemingway. Uma leitura essencial para compreender as reverberações de um passado doloroso na alma de uma nação.
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