
Uma meditação profunda sobre a memória, a perda e a busca por significado em um mundo que insiste em esvaziar-nos. - Jornal da Literatura
Em "Vento Vazio", Marcela Dantés nos transporta para a enigmática Quina da Capivara, um lugar esquecido pelo tempo e pela civilização, onde o protagonista, um homem de quase cem anos chamado Miguel, revisita as memórias de uma vida que ele próprio define como "boba". Após um "dia impossível" que o despojou de tudo, Miguel encontra refúgio neste fim de mundo, carregando consigo um buraco existencial, um "Vento Vazio" que se recusa a ir embora.
Neste cenário peculiar, habitado por uma galeria de personagens excêntricos e marginalizados, de velhos a bebês, de loucos a amantes, Miguel reflete sobre a natureza da existência, da perda e da identidade. A pedra imensa que protege a comunidade do mundo exterior é a mesma que aprisiona o vazio interior, levantando a questão: quem nos protege de nós mesmos? A narrativa se desenrola como um fluxo de memórias e observações, revelando a complexidade das relações humanas e a busca por sentido em um lugar onde o tempo parece ter parado.
A obra é um convite à introspecção, explorando a melancolia da passagem do tempo e a resiliência do espírito humano diante da ausência e do desapego. Marcela Dantés tece uma tapeçaria rica em detalhes e emoções, onde a paisagem árida e os personagens singulares servem de espelho para as profundas questões existenciais que assombram Miguel e, por extensão, a todos nós.
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