
Uma meditação pungente sobre a memória, a fé e o legado do colonialismo. - Jornal da Literatura
“Um rio sem fim” é uma obra profunda e instigante que mergulha nas complexidades da mente humana e nos ecos persistentes de um passado colonial. A narrativa nos transporta para 7 de junho de 1986, através dos olhos do bispo Dom Matias Lana, um homem de setenta e cinco anos cujo semblante, embora marcado pelo tempo, revela uma pureza inabalável diante da "desordem irracional" que ele percebe ao seu redor.
A autora Verenilde S. Pereira tece uma trama rica em reflexões sobre o encontro de culturas, a imposição de valores e a dolorosa categorização do "outro". O bispo, em suas memórias e observações, revisita a história dos missionários católicos e sua visão sobre os povos indígenas, descritos em publicações como seres de "parca inteligência", incapazes de raciocínio abstrato.
Este livro é um convite à introspecção, questionando as lentes pelas quais a história é contada e as justificativas para a dominação. É uma meditação sobre o amor, o preconceito e a pretensão de "desvendar a alma" alheia, revelando as camadas de julgamento e compaixão que moldam a percepção humana. Uma leitura essencial para quem busca compreender as cicatrizes deixadas pelo tempo e as complexidades da alma brasileira.
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