
Uma reflexão comovente e necessária sobre a dignidade humana em tempos de crise. - Jornal de Notícias
Em "Último Olhar", Miguel Sousa Tavares nos transporta para o epicentro da pandemia de COVID-19, em maio de 2020, na Espanha. Acompanhamos a comovente jornada de Pablo Segovia Rodríguez, um idoso de 93 anos, sobrevivente do campo de concentração de Mauthausen, que se recusa a ser apenas mais um número na estatística de vítimas. Infectado pelo vírus, Pablo é transferido do lar de idosos Vale Encantado, em Alcalá del Rio, para um hospital em La Línea de la Concepción.
Apesar da fragilidade do corpo e da sombra da morte que paira sobre ele e seus companheiros de infortúnio, Pablo insiste em fazer a viagem sentado, observando pela janela do ônibus os campos da sua amada Andaluzia. Este gesto de resistência, de apego à vida e à beleza do mundo, mesmo diante do abismo, revela a extraordinária força do espírito humano.
A narrativa de Tavares é um mergulho profundo na memória e na resiliência, explorando a dignidade dos mais velhos e a forma como a sociedade lida com a vulnerabilidade em tempos de crise. É um testemunho pungente sobre o valor da vida, a importância de cada olhar e a persistência da esperança, mesmo quando tudo parece perdido. Uma obra que nos convida a refletir sobre a nossa própria humanidade e o legado que deixamos.
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