
Uma imersão visceral na solidão e nas obsessões da alma humana. Tezza, em sua melhor forma, nos entrega um romance de rara profundidade e beleza melancólica.
Em "Trapo", Cristovão Tezza nos convida a mergulhar na mente de um professor cinquentão, solitário e desiludido, cuja vida se resume a livros e à amargura de um passado marcado pela perda. Em uma madrugada insone, ele tenta se comunicar com uma jovem musa de dezesseis anos, enfrentando os "lobos" de sua família em um cerco quase medieval. A narrativa, em primeira pessoa, é um fluxo de consciência que transita entre a realidade crua e as divagações literárias do protagonista, revelando sua incapacidade de viver plenamente e sua obsessão por uma beleza juvenil inatingível.
Tezza constrói um romance psicológico denso, onde a solidão, a passagem do tempo e a busca por sentido se entrelaçam. O protagonista, um "pequeno traste simpático" que se descobre aos cinquenta e tantos anos, reflete sobre a vida, a literatura e a ironia de encontrar prazer na aposentadoria. A obra é um convite à introspecção, explorando as complexidades da alma humana e as nuances de um amor platônico e proibido, permeado por uma melancolia profunda e um humor ácido, que questiona a própria existência e o valor das relações humanas.
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