
Uma meditação pungente sobre a existência e a melancolia da vida urbana, característica da prosa de Cony. - O Estado de S. Paulo
Em "Tijolo de Segurança", Carlos Heitor Cony nos mergulha na mente de um homem em um dia aparentemente comum, mas carregado de uma melancolia profunda e questionamentos existenciais. Ao fechar o portão de sua casa na Rua Bojuru, ele se depara com a rotina e a paisagem familiar, que, no entanto, parecem distantes e desprovidas de sentido.
Entre o sono interrompido por pesadelos da filha e a preguiça de enfrentar a cidade, o protagonista divaga sobre a vida na ilha, a presença de um ladrão na rua e a inevitabilidade de um sábado sem sol, sem perspectivas. A citação de Apollinaire, "Incertitudes, ô mes délices...", ecoa a atmosfera de incerteza e a sensação de que a vida avança "à reculons", para trás.
Cony tece uma narrativa introspectiva que explora a solidão, a passagem do tempo e a busca por significado em meio à banalidade. O "tijolo de segurança" do título pode ser uma metáfora para as ilusões de estabilidade ou para a própria rigidez da existência, que aprisiona o indivíduo em suas próprias reflexões e desilusões. Uma obra que convida à profunda reflexão sobre a condição humana.
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