
Uma voz poderosa que ilumina as sombras da memória e da injustiça social em um Brasil de contrastes.
“Solitária” mergulha nas complexas camadas da memória e da injustiça social através da pungente história de Mabel e sua mãe, Eunice. Após a antiga patroa de Eunice ser indiciada por um crime terrível, Mabel, cheia de indignação, pressiona a mãe a revelar a verdade sobre os mais de vinte anos de trabalho doméstico e os segredos que se acumularam na casa da família abastada.
Eunice, no entanto, permanece em um silêncio obstinado, presa entre o medo de confrontar um passado doloroso e a lealdade forçada que a manteve em uma posição de submissão por décadas. A narrativa explora a dinâmica de poder entre empregadas domésticas e seus empregadores, revelando as cicatrizes invisíveis deixadas por uma vida de servidão e a dificuldade de romper com ciclos de exploração.
Com uma estrutura que alterna entre as perspectivas de Mabel e Eunice, o livro desvenda os espaços físicos e emocionais que moldaram suas vidas, do "Quintal" à "Sala de Estar", do "Quarto de Empregada" ao "Quarto de Hospital". Eliana Alves Cruz tece uma trama envolvente sobre a busca por justiça, a força da memória e a libertação de amarras invisíveis que aprisionam não apenas corpos, mas também almas. Uma obra essencial para refletir sobre as relações humanas e as profundas desigualdades sociais no Brasil.
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