
Em um dos sermões mais célebres da literatura portuguesa, Padre Antônio Vieira, o grande orador sacro do século XVII, constrói uma reflexão profunda e comovente sobre a figura do Bom Ladrão crucificado ao lado de Jesus. Partindo da passagem bíblica em que um dos criminosos reconhece a inocência de Cristo e pede para ser lembrado no Reino dos Céus, Vieira desenvolve um discurso magistral sobre arrependimento, misericórdia divina e a possibilidade de redenção mesmo no último instante da vida. Com sua retórica barroca característica, repleta de antíteses, paradoxos e imagens poderosas, o autor explora a tensão entre justiça e graça, condenação e salvação, convidando o ouvinte (e o leitor) a uma profunda introspecção sobre a natureza do pecado e a infinita bondade de Deus. Mais do que uma exegese bíblica, este sermão é um monumento da língua portuguesa e uma obra-prima da espiritualidade, que continua a ressoar séculos depois de sua pregação original em 1655.
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