
Após uma dolorosa separação, a vida de Karen se fragmenta em dias alternados, feriados divididos e natais revezados, enquanto sua filha transita entre dois lares. Presa a um cálculo interminável de tempo e memórias, Karen se vê confrontada com a efemeridade dos momentos e o que realmente permanecerá na lembrança da criança.
A maternidade, desde a gravidez marcada por exames e suspeitas, nunca foi um território de estabilidade para Karen. Semanas no hospital, a culpa pelo próprio leite e a constante sensação de vulnerabilidade da filha moldaram sua experiência. A separação intensificou essa angústia, desencadeando uma torrente de pensamentos intrusivos e fantasias catastróficas.
Oscilando entre a vigilância extrema e o esgotamento, Karen observa cada gesto da filha em busca de sinais de dano, revisitando sua própria infância e a complexa relação com sua mãe. "Seja gentil com os animais" é uma imersão profunda na psique de uma mulher que tenta reconstruir sua identidade e seu papel materno em meio à solidão e ao medo, questionando a possibilidade de ser gentil consigo mesma quando a vida parece tão implacável.
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