
Engenhoso e irreverente, um clássico da sátira portuguesa.
Em uma Coimbra do século XVIII, Francisco de Paula de Figueiredo nos presenteia com "Santarenaida: Poema Eroi-Cômico", uma obra que eleva o cotidiano ao patamar da epopeia. O poema narra a inusitada e tragicômica morte de José Rodrigues Santareno, um taverneiro lendário, cuja vida dedicada aos prazeres do vinho encontra um fim irônico e inesperado.
Após anos de uma peculiar "abstinência" de água, Santareno, em meio a uma celebração da Páscoa do Espírito Santo, sucumbe a uma sede fatal, falecendo minutos após beber em demasia. O autor, com maestria, transforma este evento trivial em um grandioso conflito mitológico, onde Baco, o deus do vinho, se opõe a Netuno, o rei das águas, culminando na vingança aquática que ceifa a vida do protagonista.
Com uma linguagem rica e um tom que transita entre o solene e o burlesco, "Santarenaida" é uma sátira perspicaz sobre a condição humana, os excessos e a imprevisibilidade do destino. Uma leitura essencial para os amantes da poesia clássica portuguesa e do humor inteligente, que convida à reflexão sobre as pequenas ironias da vida.
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