
Uma obra de virtuose contida, que condensa a complexidade da existência humana com a profundidade de um romance de Balzac. - Crítica Literária
Em "Resumo de Ana", Modesto Carone tece duas narrativas intrincadas e comoventes, ambas enraizadas em fatos reais, que se entrelaçam para formar um panorama da vida brasileira ao longo de um século. A primeira parte nos apresenta Ana, uma mulher de sensibilidade ímpar, cuja existência, confinada às tarefas domésticas, culmina em uma profunda derrota em sua busca por felicidade. Sua história é um retrato pungente das limitações e aspirações de uma época.
Na segunda parte, "Ciro", acompanhamos as desventuras do filho de Ana, imerso no universo impiedoso do trabalho alienado. Juntos, mãe e filho representam seres precários da paisagem paulista e brasileira, cujas vidas, marcadas pela necessidade e por sonhos inalcançáveis, se estendem do final do século XIX até as últimas décadas do século XX. Carone emprega um estilo enxuto e direto, mas de virtuose contida, que condensa a complexidade de duas existências em uma obra de rara profundidade. O narrador, neto de Ana e sobrinho de Ciro, recupera essas memórias familiares com um olhar retrospectivo que eleva as vidas miúdas de seus parentes à grandeza da observação dos destinos humanos, convidando o leitor a preencher os espaços não ditos e a refletir sobre a totalidade da experiência humana.
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