
Uma imersão visceral na dor e na angústia existencial. - Revista Literária
Em "Réquiem", Bianca Sousa nos mergulha na mente atormentada de um professor universitário de História da Arte, cujo corpo se torna um campo de batalha contra uma dor inexplicável e dilacerante. Confinado em uma capela mortuária, um cenário que ecoa a própria desolação de sua existência, ele enfrenta pontadas agudas que rasgam seus músculos e trituram seus ossos, levando-o repetidamente à inconsciência. Cada despertar é um prenúncio de mais sofrimento, uma espera angustiante pela próxima onda de agonia que o transforma em uma criatura desconhecida.
A autora constrói uma atmosfera densa e claustrofóbica, onde a dor física se entrelaça com a angústia existencial. O protagonista, um observador sensível da beleza e da história, vê seu mundo desmoronar enquanto seu corpo o trai. A capela, outrora um local de consolo e arte, agora é um palco para seu tormento solitário, com suas janelas góticas desfiguradas refletindo a perda de sua própria integridade.
"Réquiem" é uma jornada visceral pela experiência humana da dor, da fragilidade e da busca por sentido em meio ao caos. Uma obra que questiona os limites do corpo e da mente, e a resiliência do espírito diante do insuportável.
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