
por Edyr Augusto
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Uma narrativa vertiginosa que leva a estética do choque ao paroxismo, revelando uma estranha poesia no horror acelerado. - Daniel Galera
Em "Pssica", Edyr Augusto nos arrasta para um abismo social sem precedentes, onde a inocência é brutalmente desfeita. A história começa com Janalice, uma adolescente cuja vida desmorona após um vídeo íntimo vazar, expondo-a à humilhação e à expulsão de casa. O que se segue é uma descida vertiginosa por um submundo de violência, prostituição infantil e sequestros, onde a linha entre vítima e algoz se dissolve em meio à luta pela sobrevivência.
Ambientado em uma Belém do Pará crua e sem filtros, estendendo-se até a ilha de Marajó e Caiena, na Guiana Francesa, o romance tece um mosaico de destinos interligados. Conhecemos um imigrante angolano em busca de vingança e um jovem que comanda roubos de carga nos rios sem lei da região, cujas paixões e crueldades convergem em uma série de acertos de contas e desencontros abruptos.
Com uma prosa acelerada e impactante, Edyr Augusto não hesita em expor a barbárie e o primitivismo que permeiam a urbanidade brasileira, criando uma atmosfera gótica e sufocante. A narrativa, feita de rajadas de frases curtas, transforma o horror em uma estranha poesia, evocando tristeza e uma incômoda empatia pelos personagens, mesmo em seus picos de maldade. "Pssica" é um retrato visceral de uma realidade brutal, questionando o significado de redenção em tempos de velocidade sobre-humana.
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