
Uma análise incisiva e perturbadora da modernidade capitalista. - Le Monde
Em 'Profanações', Giorgio Agamben mergulha nas complexas intersecções entre capitalismo, tecnologia e a fragilidade jurídica da sociedade contemporânea. Inspirado pelas análises de Walter Benjamin sobre a Paris do século XIX, Agamben revela como as verdadeiras decisões políticas são tomadas nos bastidores, onde o poder se desvincula do direito para exercer controle discricionário. O livro explora a dissolução das fronteiras entre o íntimo, o público e o privado, transformando tudo em objeto de decisão.
A obra desvenda a universalização do fetichismo na cultura capitalista, onde a economia de mercado transcende para uma sociedade de mercado. Agamben traça paralelos entre o progresso tecnológico do século XIX e a proliferação do espiritismo, mostrando como fantasmas e modernidade coexistem. Ele argumenta que, assim como a mercadoria se desvincula de seu produtor, espíritos e objetos adquirem uma "objetividade espectral", dominando os vivos em um mundo desprovido de significado humano e divino.
O autor examina a proletarização em suas diversas formas – perda de objetos na produção, de saber-fazer no conhecimento e de saber-viver no consumo – como manifestações da profanação capitalista. Agamben expõe como o capitalismo, ao profanar a transcendência teológica e instituir o culto à mercadoria, bloqueia a percepção dos seus próprios mecanismos religiosos, garantindo sua hegemonia pela ausência de critérios de verdade e certezas metafísicas. Uma análise profunda sobre a essência da nossa era.
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