
por Gil Vicente
Uma obra-prima da sátira social e do drama humano, que ressoa através dos séculos com sua crítica atemporal. - Crítica Literária Portuguesa
“Pranto de Maria Parda” é uma das obras mais pungentes e socialmente engajadas de Gil Vicente, o pai do teatro português. Nesta peça, Maria Parda, uma mulher de Lisboa, expressa seu desespero e sua dor diante da escassez e do alto preço do vinho, elemento essencial para sua subsistência e conforto. Sua lamentação, carregada de um humor agridoce e uma profunda melancolia, revela as dificuldades da vida cotidiana e as injustiças sociais da época.
Através de um monólogo dramático e comovente, Gil Vicente tece uma crítica mordaz à sociedade lisboeta do século XVI, expondo a vulnerabilidade dos mais pobres e a indiferença das estruturas de poder. A figura de Maria Parda, com sua linguagem crua e suas queixas sinceras, personifica a luta pela sobrevivência e a dignidade humana em face da adversidade.
A obra transcende seu contexto histórico, oferecendo uma reflexão atemporal sobre a pobreza, a dependência e a resiliência do espírito humano. É um testemunho da genialidade vicentina em aliar o riso e o pranto, a sátira e a compaixão, para criar uma arte que provoca e emociona, convidando o leitor a uma profunda reflexão sobre as mazelas sociais e a condição humana.
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