
“Poema sujo mereceria ser chamado ‘Poema nacional’, porque encarna todas as experiências, vitórias, derrotas e esperanças da vida do homem brasileiro. É o Brasil mesmo, em versos ‘sujos’ e, portanto, sinceros.” - Otto Maria Carpeaux
Considerado um dos pilares da poesia brasileira contemporânea, "Poema Sujo" é a obra-prima de Ferreira Gullar, escrita durante seu exílio em Buenos Aires, em um período de intensa repressão política no Brasil. Este poema-livro é um grito visceral de memória, resistência e identidade, onde Gullar, em um fluxo de consciência arrebatador, revisita as paisagens da infância em São Luís do Maranhão, entrelaçando-as com reflexões profundas sobre a vida, a arte e o destino de um país sob a ditadura.
A obra é uma imersão na alma brasileira, capturando as experiências, vitórias, derrotas e esperanças do homem comum. Otto Maria Carpeaux o descreveu como um "Poema nacional", pela sua capacidade de encarnar a própria essência do Brasil em versos "sujos" e, por isso, profundamente sinceros. A linguagem de Gullar, que ele próprio buscou fazer "nascer com o poema", é ao mesmo tempo experimental e acessível, carregada de imagens potentes e uma musicalidade que ecoa a tradição oral e a modernidade.
"Poema Sujo" transcende a mera poesia para se tornar um documento histórico e emocional, um testemunho da resiliência humana e da força da palavra em tempos sombrios. É uma jornada lírica que convida o leitor a confrontar a memória, a saudade e a busca incessante por um sentido em meio ao caos. Uma leitura essencial para compreender a complexidade da identidade brasileira e a potência da poesia como forma de expressão e resistência.
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