
Padura entrega um noir cubano magistral, onde o crime é apenas a ponta do iceberg de uma sociedade em crise e uma alma em busca de redenção. - The Guardian
Em "Pessoas Decentes", Leonardo Padura nos transporta para a efervescente e complexa Havana, onde o detetive Mario Conde, já aposentado e envelhecido, se vê arrastado de volta ao passado por um crime brutal. A descoberta do corpo de um ex-membro da elite cultural cubana, que outrora foi uma figura proeminente e agora jaz esquecido, desencadeia uma investigação que é tanto um mergulho na memória coletiva quanto uma jornada introspectiva para Conde.
Enquanto a cidade se prepara para a visita do Papa, e as tensões sociais e políticas se intensificam, Conde precisa desvendar os segredos de um passado que muitos prefeririam manter enterrado. Ele confronta fantasmas pessoais e coletivos, questionando a decência humana em um cenário de promessas quebradas e ilusões perdidas. A busca pela verdade se entrelaça com a reflexão sobre a própria vida, as escolhas feitas e as memórias que moldam a identidade.
Padura tece uma narrativa densa e melancólica, onde a linha entre o bem e o mal se esvai, e a sobrevivência exige desmemórias seletivas. É um retrato pungente de uma sociedade em constante transformação, vista pelos olhos de um detetive que se recusa a esquecer, mesmo quando a lembrança se torna um fardo. Uma obra que questiona o que significa ser uma "pessoa decente" em um mundo de ambiguidades morais.
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