
Uma análise sociológica indispensável para compreender a complexidade do crime organizado no Brasil. - Revista Brasileira de Ciências Sociais
No final dos anos 90, as prisões paulistas foram palco de uma escalada alarmante de rebeliões, assassinatos e fugas, evidenciando profundas transformações no sistema carcerário. Apesar dos sinais claros, o governo estadual demorou a reconhecer a emergência do Primeiro Comando da Capital (PCC), uma organização de presos que viria a redefinir a dinâmica do crime no Brasil.
Esta obra fundamental, fruto de uma pesquisa aprofundada, reconstitui meticulosamente a trajetória de expansão e consolidação do PCC nas prisões de São Paulo. A autora desvenda a complexa estrutura da facção e seu funcionamento interno, revelando como a descentralização do comando e a implementação de "formas alternativas de punição" levaram a uma surpreendente redução dos homicídios dentro do sistema prisional – um efeito paradoxal e controverso da hegemonia do PCC.
Contudo, a "pacificação" imposta pela facção é apresentada como um equilíbrio precário, constantemente ameaçado pela tensão entre as forças de segurança do Estado e o poder paralelo. A fragilidade desse arranjo é crucial para compreender a escalada da violência urbana em São Paulo nos anos recentes. Uma leitura essencial para entender as raízes e as consequências de um dos fenômenos criminais mais impactantes do Brasil contemporâneo.
Faça login para compartilhar sua opinião com a comunidade
Seja o primeiro a avaliar este livro