Uma obra-prima alegórica que mergulha nas raízes da identidade angolana, com uma prosa que encanta e provoca a reflexão. - Jornal de Angola
Em "Parábola do Cágado Velho", Pepetela nos transporta a um universo onde o mito e a realidade se entrelaçam na vastidão do planalto angolano. A narrativa se inicia com a invocação de Suku-Nzambi, o criador adormecido, e a emergência da humanidade de uma Grande Mãe Serpente, estabelecendo um pano de fundo ancestral e profundamente enraizado na cosmogonia africana.
Acompanhamos Ulume, um homem que observa seu mundo, por vezes estranho, um kimbo aninhado aos pés da mística montanha Munda, onde um cágado milenar emerge diariamente de uma gruta. Este cenário idílico e misterioso é o palco para uma reflexão profunda sobre a existência humana, a busca por sentido e a relação do homem com suas origens e o ambiente que o cerca.
Através de uma prosa rica e evocativa, Pepetela tece uma alegoria poderosa sobre a espera, a transgressão e a capacidade de moldar o próprio destino. A "granada" mencionada na descrição sugere um catalisador, um evento que pode ou não ser capaz de materializar um novo mundo, desafiando a passividade e a espera pela intervenção divina. Uma jornada literária que convida à introspecção e à redescoberta da força inerente ao espírito humano.
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