Uma meditação profunda sobre a existência e a identidade angolana, tecida com a maestria poética de Pepetela.
“Parábola do Cágado Velho” é uma obra-prima de Pepetela que mergulha nas profundezas da cultura e da filosofia angolana. A narrativa se inicia com uma poderosa invocação aos mitos de criação, apresentando Suku-Nzambi, o deus criador que, após dar vida a múltiplos mundos, adormece, deixando a humanidade em busca de sentido. Os homens emergem da Grande Mãe Serpente, cada um com sua origem mítica, e se veem diante da eterna questão: o que é viver?
Nesse cenário ancestral, somos introduzidos a Ulume, um homem que observa seu mundo, um planalto vasto e misterioso, onde a natureza exuberante e os elementos míticos se entrelaçam. A presença de um cágado milenar que emerge de uma gruta para beber de uma fonte intocada simboliza a sabedoria ancestral e a conexão profunda com a terra.
Pepetela tece uma trama rica em simbolismo, explorando a relação do homem com suas origens, a natureza e o destino. A obra convida à reflexão sobre a identidade, a memória coletiva e a busca por um propósito em um mundo que parece esquecido por seus criadores. Uma jornada literária que transcende o tempo e o espaço, ecoando as vozes e os dilemas de uma nação.
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