
Um caso único na literatura brasileira, uma epopeia marcante do Império Americano. – Caetano Veloso / Mário Schenberg
“PanAmérica” de José Agrippino de Paula é uma obra seminal e radical da literatura brasileira, descrita por Caetano Veloso como um "caso único" e uma "epopeia do Império Americano". Publicado em 1967, o livro desafia as convenções narrativas, apresentando um texto denso e monolítico, sem parágrafos ou travessões, que imerge o leitor em um fluxo contínuo de visões vívidas e impactantes.
A narrativa acompanha um "eu" fragmentário e não-subjetivo, um anti-herói pós-moderno que flutua lúcido e sem afeto por um mundo rico em intensidade, mas desprovido de sentido. Este protagonista executa peripécias extraordinárias, desde dirigir superproduções hollywoodianas e ter encontros íntimos com Marilyn Monroe, até participar de guerrilhas com Che Guevara e testemunhar a dissolução do mundo como o conhecemos.
Agrippino de Paula constrói um universo onde ícones da cultura americana se misturam a atos diretos e uma crítica mordaz à sociedade. Com uma frieza e paixão singulares, o autor entrega uma prosa pop pioneira, que ecoa a força da "Ilíada na voz de Max Cavalera", confrontando o leitor com a desordem e a falta de propósito em um cenário globalizado e saturado de imagens. Uma experiência literária inesquecível e provocadora.
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