
Uma obra que incendiou a Rússia e redefiniu o debate intelectual de sua época. - Adaptado da crítica contemporânea
“Pais e Filhos”, a obra-prima de Ivan Turguêniev, mergulha na efervescente Rússia da década de 1860, um período de profundas transformações sociais e ideológicas. Com o fim da servidão e a ascensão de movimentos radicais como o “Terra e Liberdade”, a nação se via dividida entre o velho e o novo, a tradição e a modernidade. É nesse cenário que Turguêniev tece uma narrativa poderosa sobre o choque geracional e a ascensão do niilismo.
A trama acompanha Arkádi Kirsánov, um jovem recém-formado que retorna à propriedade de sua família acompanhado de seu amigo, o carismático e radical Evguêni Bazárov. Bazárov, um niilista convicto, rejeita todas as formas de autoridade, princípios e instituições, defendendo apenas a ciência e a razão. Sua presença desestabiliza a ordem estabelecida dos Kirsánov, expondo as tensões latentes entre as visões de mundo dos pais e dos filhos.
O romance explora com maestria os conflitos filosóficos, políticos e pessoais que surgem dessa colisão. Turguêniev não apenas retrata a complexidade de uma sociedade em transição, mas também questiona a natureza da fé, do amor, da amizade e do propósito da vida. A obra provocou um intenso debate em sua época, polarizando a crítica e o público, e popularizando o termo “niilista”, tamanha a sua relevância e impacto.
“Pais e Filhos” permanece um estudo atemporal sobre a busca por significado, a inevitável evolução das ideias e o eterno embate entre gerações, ressoando com questões que continuam a desafiar a humanidade.
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