
Um retrato visceral e inesquecível da violência e da luta por justiça em um Brasil esquecido. – O Estado de S. Paulo
“Os urubus não esquecem” mergulha nas profundezas de uma realidade brutal, onde a vida humana parece ter um valor ínfimo. A narrativa se inicia com uma cena impactante: urubus rondando os vestígios de corpos em um lixão, um cenário que ecoa a indiferença e a crueldade que permeiam a “Cidade da Fronteira”. Os corpos, removidos às pressas, deixam para trás não apenas um rastro físico, mas uma sombra de medo e impunidade que se espalha pela comunidade.
Em meio a essa atmosfera opressora, a notícia dos desaparecimentos corre à boca pequena, sufocada pela “lei do finge-que-não-viu” imposta por forças obscuras. As famílias, desesperadas, buscam respostas em delegacias onde são recebidas com descaso e ameaças, confrontadas com a fria afirmação de que “não tem mais vez pra vagabundo”. É nesse contexto de desamparo que Maya, uma mãe angustiada, se vê diante do pesadelo de que seu filho possa estar entre as vítimas, jogando futebol com aqueles meninos que sumiram, caminhando pelas ruas empoeiradas, descendo o rio sem que ela soubesse.
A obra de Pedro Cesarino é um retrato visceral da violência e da injustiça social, explorando a resiliência e o desespero de quem busca a verdade em um sistema falho. Com uma prosa contundente, o autor nos convida a testemunhar a luta pela dignidade e a memória em um lugar onde a vida é efêmera e a esperança, um luxo. Uma leitura essencial para quem busca compreender as cicatrizes de uma sociedade que insiste em esquecer seus mortos.
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