
Um balé abstrato do desejo e da morte. – Pierre de Boisdeffre
Em "Os pequenos cavalos de Tarquínia", Marguerite Duras nos transporta para uma praia italiana sob um calor sufocante, onde a atmosfera de torpor se torna um palco para a introspecção e o desejo. Dois casais em férias se veem confrontados com a ambiguidade de seus laços afetivos, mergulhando em uma espera silenciosa e carregada de tensão existencial.
A narrativa, característica do estilo "nouveau roman" de Duras, é marcada por um despojamento extremo e uma concisão rigorosa. Diálogos quase monossilábicos e a ausência de digressões psicológicas convidam o leitor a preencher as lacunas, sentindo a densidade emocional que permeia cada página.
Neste cenário à beira-mar, a tentação de uma aventura amorosa começa a se delinear, revelando a fragilidade das relações e a busca por significado em meio ao tédio e à opressão. A obra é um convite à reflexão sobre a condição humana, o desejo e a morte, elementos que emergem como os "cavalos de Tarquínia" – símbolos de uma beleza ancestral e de verdades soterradas pelo tempo.
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