
Uma ode vibrante à alma baiana e seus personagens inesquecíveis, que ressoa com a força da cultura e da resistência. - Folha de S.Paulo
“Os Pastores da Noite”, de Jorge Amado, é um romance vibrante que mergulha nas profundezas da vida noturna de Salvador, Bahia, às vésperas do golpe militar de 1964. A obra, dividida em três partes autônomas, mas interligadas por um elenco inesquecível de personagens, revela um universo marginalizado e pulsante, habitado por prostitutas, boêmios e vigaristas que vivem sob suas próprias leis e valores – onde o culto à cachaça, o ódio à polícia e o horror ao trabalho moldam o cotidiano.
A narrativa se inicia com o carismático cabo Martim, um mestre dos jogos de azar e sedutor inveterado, que surpreende a todos ao planejar uma vida mais estável. Em seguida, somos transportados para o batizado do filho de Massu, um estivador forte e respeitado, cujo padrinho é o próprio orixá Ogum, transformando o evento em uma celebração que mescla o candomblé e o catolicismo, mobilizando toda a comunidade noturna da cidade.
A tensão social e política atinge seu ápice na última parte, quando a ocupação do morro do Mata Gato por desabrigados desencadeia um conflito que expõe as feridas da sociedade. Enquanto o proprietário do terreno busca a intervenção policial, outras forças emergem, revelando a complexa teia de relações e a luta por dignidade. Jorge Amado tece um retrato multifacetado da Bahia, celebrando a resiliência e a humanidade de seus "pastores da noite", que, com suas alegrias e dores, iluminam os caminhos tortuosos da cidade.
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