
por José Saramago
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Uma obra-prima de crítica social e filosófica, onde a prosa de Saramago brilha em sua forma mais incisiva e poética. - Jornal de Letras
“Objecto Quase” é uma coletânea de seis narrativas breves e intensas de José Saramago, publicadas originalmente em 1978, que mergulham na complexa relação entre a consciência humana e o mundo material. Saramago, com sua prosa singular, explora a linguagem como uma ferramenta de vingança e distanciamento, tecendo tramas que oscilam entre o absurdo, o lírico e o irônico.
Em contos como “Cadeira”, a linguagem se move em um ritmo vertiginoso para narrar a lenta desintegração do poder de um ditador, enquanto em “Refluxo”, um rei tenta banir a morte de seu reino através da construção de um cemitério monumental. Outras histórias, como “Coisas” e “Embargo”, revelam a revolta dos objetos e a escassez de recursos, expondo o círculo vicioso da existência e a agonia de um capitalismo que prioriza bens de consumo em detrimento da vida.
A escrita de Saramago, que se move em ciclos de crise e prosperidade, parodia a incessante e muitas vezes sem sentido circulação das mercadorias. A obra evidencia as raízes do “maravilhoso” no autor, utilizando a fábula não como mera identidade, mas como uma poderosa revolta da fantasia contra a indigência do real, como visto no conto do centauro. Uma fusão magistral do poético e do político, “Objecto Quase” é uma crítica atemporal e perspicaz à sociedade e à condição humana.
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