
Uma farsa atemporal que, com humor e ironia, desnuda as fraquezas humanas e a futilidade do desejo. – Crítica Literária Portuguesa
“O Velho da Horta” é uma farsa hilariante e perspicaz de Gil Vicente, escrita em 1512, que mergulha nas complexidades do desejo e da vaidade humana. A peça narra a história de um rico e respeitável homem já idoso que, durante um passeio por sua horta, é subitamente arrebatado pela beleza de uma jovem que busca hortaliças.
Consumido por uma paixão avassaladora e imprópria para sua idade e status, o velho decide conquistar a moça a qualquer custo. Ele recorre aos serviços de uma astuta alcoviteira, que o manipula e o leva a gastar toda a sua fortuna em vãs tentativas de sedução. A trama se desenrola em diálogos espirituosos e situações cômicas, expondo a ironia do amor tardio e a futilidade da busca por algo inatingível.
Ao final, a farsa culmina em um desfecho agridoce: a alcoviteira é punida, a jovem encontra um casamento honroso, e o velho, desiludido e empobrecido, é confrontado com a amarga realidade de sua frustração. Gil Vicente, com sua maestria satírica, oferece uma crítica mordaz aos costumes sociais da época, à cegueira do desejo e às consequências da teimosia, mantendo sua relevância através dos séculos.
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