
Uma análise brilhante e provocadora sobre a responsabilidade do escritor e a relação intrínseca entre literatura e história. Essencial para entender o pensamento de Barthes.
Em "O Último Escritor Feliz", Roland Barthes mergulha em uma análise perspicaz da figura de Voltaire, originalmente como prefácio a uma coletânea de seus romances e contos. O ensaio, posteriormente incluído em "Essais Critiques", explora a peculiar "felicidade" de Voltaire como escritor, que, segundo Barthes, residia em sua capacidade de distanciar sua obra da história imediata, imobilizando o mundo representado em sua literatura.
Barthes contrasta essa posição com a angústia e a responsabilidade inescapável do escritor moderno, que se vê confrontado com a brutalidade da história, como os horrores da Segunda Guerra Mundial, em oposição às perseguições do século XVIII. Ele questiona a eficácia da "arma voltairiana" – panfletos e sátiras – diante de atrocidades em massa, sugerindo que a escala da tragédia contemporânea exige uma nova forma de engajamento literário.
Esta obra é uma reflexão profunda sobre a relação entre literatura, história e moralidade, desafiando o leitor a ponderar sobre o papel do intelectual e a natureza da escrita em diferentes épocas. Barthes provoca uma discussão atemporal sobre a responsabilidade do artista e a capacidade da arte de responder aos dilemas de seu tempo.
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