
Uma crônica perspicaz que, sob o véu de uma lenda carioca, revela a eterna comédia humana da ganância e da ilusão. - O Estado de S. Paulo
“O Subterrâneo do Morro do Castelo” de Lima Barreto mergulha o leitor em uma fascinante lenda carioca, explorando a busca por tesouros jesuítas supostamente escondidos sob o Morro do Castelo. A narrativa, publicada originalmente no Correio da Manhã em 1905, resgata a tradição oral de riquezas fabulosas que padres jesuítas teriam ocultado para protegê-las do confisco pelo Marquês de Pombal.
A história detalha as sucessivas escavações e a febre do ouro que tomou conta de capitalistas e "revolvedores de ruinarias" durante o período do Encilhamento. Com uma ironia sutil, Lima Barreto descreve a vã esperança e a subsequente frustração dos que buscaram fortuna, transformando-os em alvo de mofa. A obra não é apenas um relato de uma lenda, mas uma aguda observação da sociedade e da natureza humana.
Em meio à iminente demolição do morro para a construção da Avenida, a atenção pública é novamente atraída para o mistério, reavivando a curiosidade sobre o que realmente jazia sob as fundações do antigo convento. Lima Barreto, com sua prosa característica, tece uma crônica que transcende o mero relato histórico, oferecendo uma reflexão sobre a ganância, a persistência de mitos e a efemeridade das ambições humanas diante do tempo e da transformação urbana.
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