
Uma narrativa visceral e comovente sobre o exílio e as cicatrizes da história. - LER
Em "O Retorno", Dulce Maria Cardoso nos transporta para o ano de 1975, em Angola, no auge do conturbado período pós-independência. Acompanhamos a história de uma família portuguesa forçada a abandonar a terra que consideravam lar, em meio a um cenário de crescente violência e incerteza.
Através dos olhos de um jovem narrador, o leitor é imerso nos últimos dias antes da partida, onde a tensão e o desespero se entrelaçam com a inocência da infância. O pai, em um ato de profunda angústia e revolta, contempla a destruição de tudo o que será deixado para trás, enquanto a mãe se esforça para manter uma frágil normalidade. A iminência da viagem para a "metrópole" – Portugal – é carregada de incerteza e da dolorosa consciência de que o passado se desfaz em fumaça.
Cardoso constrói uma narrativa visceral e rica em simbolismo, onde objetos e gestos cotidianos adquirem um peso existencial, refletindo a perda de identidade e o trauma da descolonização. É um retrato íntimo e universal do exílio, da difícil adaptação a um novo mundo e da incessante busca por um novo começo, enquanto as raízes permanecem fincadas em uma terra distante e em memórias fragmentadas.
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