
Um romance que dá testemunho da Cuba atual, do desencanto da revolução, da escassez. Escrita com raiva, de um modo visceral, mas sem perder de vista o humor e a agilidade narrativa. — El País, Madri
“O nada cotidiano” é um romance visceral e irônico que mergulha na realidade sufocante da Cuba pós-revolucionária, vista pelos olhos de Pátria, uma mulher nascida no ano do triunfo da revolução. Sua vida é uma alegoria da própria nação, marcada pela escassez, pela desilusão e pela constante luta por liberdade em um regime que prometeu o paraíso, mas entregou o inferno.
Zoé Valdés narra a jornada de Pátria, que tenta escapar da "maldição" de seu nome e de sua ligação intrínseca com o país. Após uma breve fuga para uma Paris fria e inóspita, ela retorna a Cuba, onde se divide entre dois homens, Traidor e Niilista, cada um representando facetas da sua própria desesperança e da sociedade controlada. A obra explora a falta de bens materiais, a ausência de entes queridos que partiram e, acima de tudo, a falta de perspectiva e o naufrágio de um orgulho nacional.
Com uma escrita que transborda raiva e sensualidade, mas sem perder o humor e a agilidade, Valdés oferece um testemunho pungente da vida cotidiana na "última reserva do socialismo". É um grito de desabafo contra as privações, a decepção e o isolamento, revelando a complexidade das relações humanas e a resiliência do espírito em face da opressão. Um retrato sincero e desesperado de uma nação e de uma alma em busca de sentido.
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