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Uma obra-prima da literatura portuguesa, um mergulho implacável na memória e na história de um país em transformação. - Expresso
“O Manual dos Inquisidores” de António Lobo Antunes é um mergulho profundo na memória e na decadência de uma família da alta burguesia portuguesa, outrora rica e influente, no contexto turbulento do século XX. A narrativa desdobra-se em dois períodos cruciais: a opulência e o poder durante o regime salazarista, personificados pelo patriarca Dr. Francisco, um governante poderoso, e o drástico declínio após a Revolução dos Cravos, em 25 de Abril de 1974.
Através de uma prosa densa e fragmentada, Lobo Antunes explora as fissuras internas de uma família que se desintegra junto com o regime que a sustentava. O leitor é conduzido por um labirinto de lembranças, ressentimentos e segredos, testemunhando a ruína de um legado e a perda de identidade em um país em transformação. A obra é um retrato implacável da sociedade portuguesa, dividida entre o passado autoritário e um futuro incerto, e uma reflexão pungente sobre o peso da história e as cicatrizes que ela deixa nas vidas individuais.
Este romance psicológico e histórico é uma análise acutilante da memória, do poder e da fragilidade humana, revelando as complexidades das relações familiares e o impacto indelével das grandes mudanças políticas. Uma leitura essencial para quem busca compreender as entranhas de uma nação e a alma de seus personagens.
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