
Uma joia do modernismo português, que captura a essência da Commedia dell'Arte com um toque de melancolia e graça.
Publicado originalmente em 1918, "O Jardim da Pierrette" é um argumento de bailado do icônico modernista português José de Almada Negreiros. A obra nos imerge no universo atemporal da Commedia dell'Arte, apresentando um Pierrot melancólico e desolado, que se encontra em profundo desespero pela ausência de sua amada Pierrette. Refugiando-se num jardim, ele descobre, por um acaso do destino, que está no santuário de sua paixão.
Em suas tentativas de atrair a atenção de Pierrette, que está absorta em seus afazeres, Pierrot lança pedrinhas e flores, mas seus esforços são inicialmente confundidos com meras fantasias. A narrativa ganha complexidade com a intromissão da astuta Arlequina, que, ao deparar-se com o sofrimento de Pierrot, decide brincar com seus sentimentos. O ápice dramático ocorre com a chegada do impetuoso Arlequim, que, em busca de Arlequina, irrompe em fúria ao encontrar Pierrot.
O enredo se desenrola para um confronto que é habilmente apaziguado pela intervenção de Pierrette. Com a promessa de Arlequim de se redimir e o perdão concedido, a noite se transforma em uma vibrante celebração de dança e reconciliação, onde todas as mágoas são esquecidas. Uma peça que explora com delicadeza e profundidade os temas universais do amor, ciúme e perdão, imbuída da singularidade artística de Almada Negreiros.
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