
Uma obra-prima do absurdo, um monólogo interior que redefine a busca pela identidade e a essência da existência.
O Inominável é o terceiro volume de uma trilogia escrita entre 1946 e 1949, integrada por Molloy e Malone Morre. Nesta obra seminal, Samuel Beckett, o papa da estética do absurdo e Nobel de Literatura, nos imerge na mente de Mahood, um ser sem nome, pura voz, uma cabeça numa cadeira, uma bolha falante. Os personagens de Beckett, sempre incertos, oscilam entre o máximo e o mínimo, vivendo em um paradoxo perene.
A narrativa se desenrola como um extenso monólogo interior, a única atividade que mantém Mahood vivo e consciente. É o pensamento em estado puro, a essência desse ser inominável, manifestando-se em um processo de desintegração e perda. A consciência, separada do mundo exterior e até do próprio corpo, cria uma "realidade" estranha e abstrata, semelhante a um pesadelo que abrange passado e futuro.
Beckett explora o conflito perpétuo do personagem central com os objetos e seres ao seu redor, onde apenas ele possui realidade, mas carece de identidade. O autor consegue dar forma de novela a essa projeção caótica de um ser que se realiza apenas pelo pensamento, criando uma "ação" onde aparentemente nada acontece.
"O Inominável" leva essa circunstância ao extremo, funcionando alegórica e simbolicamente em múltiplos planos: a busca pela identidade humana, a reflexão do romancista sobre seu ofício e a manifestação mais perfeita do fenômeno literário que é Samuel Beckett. Embora parte de uma trilogia, pode ser lido como uma narrativa completa e independente.
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