
Uma anedota machadiana que, com humor e ironia afiados, dissecou a alma humana e as contradições da sociedade brasileira. - O Estado de S. Paulo
Em "O Empréstimo", Machado de Assis nos convida a um encontro singular que revela as profundezas da natureza humana e as complexidades das relações sociais. A trama se desenrola no cartório do tabelião Vaz Nunes, um homem de perspicácia notável, que recebe a visita de Custódio, um indivíduo movido por uma "vocação da riqueza, sem a vocação do trabalho". Este pedido de empréstimo se torna o palco para um embate sutil de filosofias de vida.
Com sua maestria característica, Machado de Assis mergulha nos detalhes mais ínfimos, observando gestos e expressões que desvelam as intenções ocultas por trás das aparências. A interação entre Vaz Nunes, capaz de enxergar além do óbvio, e Custódio, que personifica a busca incessante por ascensão sem esforço genuíno, expõe a essência de cada um.
Apesar do tom de anedota humorística, a narrativa é permeada por uma melancolia pungente, deixando um "travo amargo" que convida à reflexão. O conto é uma análise perspicaz sobre dinheiro, trabalho e a moralidade que permeia as escolhas humanas, questionando a verdadeira natureza da riqueza e da ambição. Uma obra atemporal que ecoa as inquietações da sociedade em qualquer época.
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