
Uma obra-prima que dribla o tempo e a memória, costurando o futebol e as relações humanas com maestria. – Folha de S.Paulo
Em 'O Drible', Sérgio Rodrigues nos apresenta Murilo Filho, um cronista esportivo octogenário, testemunha viva da era de ouro do futebol brasileiro, que se vê diante de um diagnóstico terminal. Sua última e mais importante missão: reconstruir a ponte com o filho Neto, com quem não fala há 25 anos. Em encontros semanais de pesca, Murilo tenta preencher o abismo entre eles com memórias vibrantes dos grandes craques do passado, uma tentativa desesperada de conexão.
Neto, por sua vez, é um revisor de livros de autoajuda que leva uma existência medíocre, cercado por objetos dos anos 70 e relacionamentos superficiais. Marcado pelo suicídio da mãe na infância, ele carrega o peso de se sentir desprezado pelo pai famoso, um ressentimento que moldou sua vida.
A narrativa se desdobra em um fascinante contraponto de vozes. Enquanto acompanhamos a complexa relação familiar, somos imersos no livro que Murilo escreve: a história de Peralvo, um lendário jogador dos anos 1960, dotado de talentos quase sobrenaturais, que poderia ter superado Pelé se não fosse seu destino trágico. Essa alternância entre o realismo cru da vida de Neto e a fantasia nostálgica do futebol de Peralvo cria uma tapeçaria rica e emocionante sobre memória, perdão e a busca por um legado.
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