
por Lídia Jorge
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Uma obra-prima que captura a alma de Portugal em um momento de transformação, com uma prosa de rara beleza e profundidade. - Crítica Literária
O aclamado romance de estreia de Lídia Jorge, "O Dia dos Prodígios", transporta o leitor para Vilamaninhos, uma aldeia mítica no sul de Portugal, imersa em um isolamento secular. A narrativa se desenrola no rescaldo da Revolução dos Cravos, um período de profundas transformações que, paradoxalmente, parece não alcançar os recantos mais remotos do país. A comunidade, desentendida e presa às suas tradições, vê-se confrontada com a chegada de um grupo de soldados revolucionários, portadores de um novo mundo e de ideias de liberdade e progresso.
Este embate cultural e geracional é o cerne do romance, que explora a tensão entre o arcaico e o moderno, o rural e o urbano. As personagens de Vilamaninhos, com suas histórias particulares, revelam um comportamento coletivo que se torna um espelho da própria identidade portuguesa, oscilando entre a resistência à mudança e a inevitabilidade do novo. Lídia Jorge constrói uma obra não convencional, onde a linguagem adquire uma forte carga poética, e a oralidade é um elemento estrutural, conferindo à narrativa uma dimensão quase teatral.
Através de uma prosa rica e envolvente, a autora mergulha nas profundezas da alma de uma comunidade em xeque, cujas vozes e silêncios pintam um quadro vívido de um Portugal em transição. "O Dia dos Prodígios" é um convite à reflexão sobre a memória, a identidade e o impacto das grandes mudanças sociais na vida de pessoas comuns, um testemunho literário da complexidade de um país que se reinventa.
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