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Materializa o invisível. Foi escrito por uma mulher negra, tem protagonistas negros. – Flávia Oliveira
No cenário vibrante e brutal do Rio de Janeiro do século XIX, um assassinato abala as estruturas sociais da cidade. Bernardo Lourenço Viana, um rico comerciante branco, é encontrado morto nas proximidades do Cais do Valongo, o maior porto de desembarque de africanos escravizados nas Américas. Este crime misterioso serve como ponto de partida para uma imersão profunda na história e nas feridas de um Brasil colonial.
Eliana Alves Cruz tece uma trama envolvente que acompanha Muana Lomuè, uma africana escravizada que carrega as memórias e rancores de sua terra natal, e Nuno Alcântara Moutinho, um mestiço que resiste à pressão de uma sociedade racista que busca o embranquecimento. A narrativa, fruto de pesquisa histórica meticulosa, transporta o leitor para uma África rica em diversidade cultural, para a brutalidade dos navios negreiros e para um Rio de Janeiro cujas cicatrizes do passado colonial ainda ecoam no presente.
Através do enigma do assassinato, o livro expõe as condições de vida e as tradições religiosas que moldaram a identidade brasileira, aproximando o Orum e o Aiyê, os mortos e os vivos, os ancestrais e os descendentes. Uma leitura essencial que não apenas desvenda um mistério, mas também ilumina a invisibilidade e a resiliência de personagens negros na literatura, confrontando o leitor com a complexidade de um passado que se recusa a ser soterrado e que ainda sangra.
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