
por Maria Brant
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Em 1986, enquanto o mundo aguarda a passagem do cometa Halley, o Brasil vive os primeiros anos da redemocratização após duas décadas de ditadura militar. Nesse cenário de transformações coletivas, três meninas - Íris, Rosa e Violeta - embarcam em uma jornada íntima de descobertas e luto. Com onze anos, Íris enfrenta a dor da perda de seu tio Peu, um surfista sonhador cuja ausência ecoa nos silêncios da família. Entre excentricidades maternas e o mutismo paterno, ela busca respostas em fragmentos de memória: a cicatriz na testa que parece falar em código morse, os cadernos em cirílico do bisavô astrônomo, as histórias familiares que flutuam entre o real e o obscuro. Ao longo dos doze meses que antecedem a passagem do cometa, as percepções infantis das três meninas mapeiam não apenas o processo de elaboração da perda, mas também captam os ecos silenciosos da história recente do país, onde verdades não ditas pairam como sombras. Este romance de formação tece com sensibilidade as conexões entre o microcosmo familiar e o macrocosmo político, revelando como as dores pessoais e coletivas se entrelaçam na busca por significado e autoconhecimento.
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