
Uma obra-prima do modernismo português, que disseca a alma humana com uma acidez e sensibilidade raras. - Jornal de Letras
“Nome de Guerra”, escrito em 1925 por Almada Negreiros, é um romance de iniciação que mergulha nas complexidades da juventude e da descoberta. A trama segue Luís Antunes, um jovem provinciano de família abastada, enviado a Lisboa pelo tio para ser "educado nas provas masculinas" sob a tutela do enigmático D. Jorge. O que começa como uma jornada de amadurecimento esperado, rapidamente se transforma em uma exploração profunda das paixões e das realidades da vida urbana.
Luís é confrontado com a figura de Judite, cuja beleza o cativa irremediavelmente. Apesar de Judite perceber que Luís não é o homem para ela, a sua situação financeira precária a leva a aceitar a corte do jovem, revelando a dura verdade de que "dinheiro é o principal para esperar, para disfarçar, para mentir a miséria e a desgraça". Este encontro desencadeia uma série de eventos que expõem as fragilidades humanas e as convenções sociais da época.
A narrativa de Almada Negreiros é uma análise perspicaz das relações humanas, da busca por identidade e do impacto das circunstâncias na formação do caráter. Através da jornada de Luís e Judite, o autor tece uma crítica social sutil, mas contundente, sobre os valores e as hipocrisias de uma sociedade em transformação.
A obra culmina com uma frase enigmática e poderosa, "não te metas na vida alheia se não queres lá ficar", que ecoa a profundidade das lições aprendidas e a inevitabilidade das consequências das escolhas. "Nome de Guerra" é um clássico da literatura portuguesa que convida à reflexão sobre o amor, a moralidade e o destino.
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