
Um retrato pungente e inesquecível da Argentina em um de seus momentos mais cruéis. Soriano captura a essência da desilusão política com maestria. - Clarín
“Não Haverá Mais Dores Nem Esquecimento” de Osvaldo Soriano transporta o leitor para a Argentina turbulenta entre outubro de 1973 e julho de 1974, um período marcado pelo último governo de Juan Domingo Perón. Após um exílio prolongado, Perón retorna ao país em meio a uma profunda convulsão social e política, com seu movimento peronista dividido em facções irreconciliáveis: uma que o via como líder revolucionário e outra que buscava usar sua influência para conter o avanço popular.
Neste cenário de intensa polarização, Perón inicia uma implacável depuração de elementos "esquerdistas" de seu próprio movimento. A juventude peronista e os Montoneros, que haviam lutado por seu retorno, são desqualificados e rotulados como "imbecis" e "irresponsáveis", numa trágica confusão de lealdades e ideais. A narrativa se desenrola em um pequeno povoado da província de Buenos Aires, onde as complexas manobras políticas de Perón e seu ministro José López Rega adquirem dimensões grotescas e absurdas, revelando o impacto devastador da política nacional na vida de cidadãos comuns.
Soriano tece uma trama envolvente que explora as profundas cicatrizes de um país em crise, a desilusão de uma geração e a brutalidade do poder. Através de personagens que se conhecem intimamente, o romance expõe a tragédia argentina, onde a esperança de um futuro melhor se choca com a dura realidade da traição e da violência política. Uma obra essencial para compreender um dos períodos mais sombrios da história recente da Argentina.
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