
por Selva Almada
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Selva Almada nos entrega uma obra visceral e hipnotizante, onde a natureza e a alma humana se encontram em um embate inesquecível.
Em "Não é um rio", Selva Almada nos transporta para as margens de um rio misterioso e implacável, onde três homens – Enero Rey, Tilo e o Negro – se reúnem para uma pescaria que transcende o simples ato de caçar. Com uma prosa visceral e atmosférica, Almada mergulha nas profundezas das relações masculinas, da violência latente e da conexão intrínseca do ser humano com a natureza selvagem.
A narrativa se desenrola em um cenário de calor sufocante e silêncio perturbador, onde cada gesto e palavra carregam um peso ancestral. A caça a um peixe gigante torna-se um rito de passagem, um embate entre a vida e a morte que expõe as fragilidades e a brutalidade dos personagens. Enero, o mais velho, com sua presença imponente e seu revólver em punho, lidera a empreitada, enquanto Tilo, o jovem, e o Negro, o companheiro leal, o acompanham em uma jornada que desafia os limites da resistência física e emocional.
Almada constrói uma história densa e poética, onde o rio não é apenas um cenário, mas uma entidade viva que testemunha e molda o destino de seus personagens. É uma exploração da masculinidade em sua forma mais crua, da memória e do luto, e da busca por um sentido em meio à paisagem árida e desoladora. Uma obra que ressoa com a força da literatura latino-americana, convidando o leitor a uma experiência imersiva e inesquecível.
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