
Uma análise magistral e desmistificadora da ascensão de Mussolini ao poder. — The Times Literary Supplement
Donald Sassoon, em "Mussolini e a Ascensão do Fascismo", oferece uma análise perspicaz e detalhada da complexa trajetória que levou Benito Mussolini ao poder na Itália. O livro desvenda os eventos cruciais que culminaram na famosa "Marcha sobre Roma" em outubro de 1922, um momento frequentemente romantizado como uma tomada de poder revolucionária.
Sassoon, no entanto, apresenta uma perspectiva matizada, argumentando que a ascensão de Mussolini foi, em grande parte, um processo legal e constitucional. Ele explora como o rei Vítor Emanuel III designou Mussolini como primeiro-ministro e como o líder fascista obteve plenos poderes do Parlamento, desafiando a narrativa popular de uma insurreição puramente violenta.
A obra não ignora a retórica de violência e revolução empregada pelos fascistas, que buscavam legitimar seu regime através da imagem de uma ruptura radical com o passado. Pelo contrário, Sassoon examina a dualidade entre a legalidade dos atos de Mussolini e a linguagem agressiva e subversiva utilizada por seus seguidores, como Italo Balbo, que pintava um quadro de sublevação e celebrava a força.
Este livro é uma leitura essencial para compreender as nuances do fascismo italiano, a manipulação política e a forma como um regime autoritário pode emergir dentro de um arcabouço aparentemente legal. É um estudo aprofundado sobre a natureza do poder, a fragilidade das instituições democráticas e o impacto duradouro da propaganda na construção de uma nova ordem política.
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