
Uma obra de rara sensibilidade, que conquistou o Prêmio Literário José Saramago de 2024.
Morramos ao menos no porto é uma obra profunda e comovente de Francisco Mota Saraiva, vencedor do prestigiado Prêmio Literário José Saramago de 2024. O romance mergulha na intimidade dolorosa de um homem que testemunha a lenta e inexorável deterioração de sua esposa. Através de uma prosa poética e introspectiva, o narrador descreve a amada como um "corpo que dança imobilizado", uma figura que se desfaz diante de seus olhos, presa em uma cadeira de balanço, enquanto ele tenta, em vão, aquecer um corpo que já não sente o calor.
A narrativa é um lamento, uma meditação sobre a fragilidade da existência e a inevitabilidade da perda. O leitor é convidado a partilhar da angústia e da resignação do protagonista, que se agarra a pequenos gestos de cuidado em face da impotência. A citação de Sêneca, "Vivemos no meio das vagas, morramos ao menos no porto", ecoa o tom filosófico da obra, sugerindo uma busca por serenidade e aceitação diante do fim.
Este livro é um convite à reflexão sobre o amor, o luto e a dignidade humana em seus momentos mais vulneráveis. Mota Saraiva constrói uma atmosfera densa e melancólica, onde a passagem do tempo é medida por badaladas de relógios desafinados e a memória se confunde com a realidade presente. Uma leitura que toca a alma e provoca uma profunda introspecção sobre a condição humana e a forma como enfrentamos a despedida.
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