
por Samuel Beckett
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O que neste “maravilhoso sórdido” ainda nos perturba e fascina? – Georges Bataille
“Molloy”, de Samuel Beckett, é uma obra-prima seminal do romance moderno que mergulha nas profundezas da condição humana com uma originalidade perturbadora. Publicado em 1951, este livro marca a verdadeira estreia de Beckett na literatura francesa e é a primeira parte de sua aclamada "Trilogia do Pós-Guerra", ao lado de "Malone Morre" e "O Inominável". A narrativa acompanha o enigmático Molloy, um vagabundo que desafia classificações, em uma jornada física e metafísica que se desdobra em um monólogo interior fragmentado e existencial.
Beckett, um dos maiores tradutores do "pesadelo da história" do século XX, assim como Kafka, explora a falência da linguagem em dar conta de uma realidade nefanda, marcada pelas atrocidades da Segunda Guerra Mundial. Seus "silêncios significantes" e a prosa densa e introspectiva convidam o leitor a uma reflexão profunda sobre a identidade, a memória, a solidão e o próprio sentido da existência.
Com uma tradução exemplar de Ana Helena Souza, que inclui um prefácio esclarecedor, cronologia e bibliografia, esta edição oferece uma porta de entrada para o universo complexo e fascinante de Beckett. "Molloy" não é apenas um livro; é uma experiência literária que perturba e fascina, desafiando as convenções narrativas e deixando uma marca indelével na literatura mundial.
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