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Uma análise psicanalítica contundente e essencial para compreender as raízes do sofrimento na sociedade brasileira contemporânea.
Em "Mal-estar, sofrimento e sintoma", Christian Ingo Lenz Dunker mergulha nas complexas intersecções da psicanálise com a realidade brasileira contemporânea. O autor desvenda como a vida em sociedade, cada vez mais pautada por uma "razão sistêmica" e a gestão de "tecnoespecialistas", transforma o sofrimento humano em objeto de medicalização e despolitização. Dunker critica a "vida em condomínio", onde diagnósticos padronizados e a indústria farmacêutica buscam silenciar as manifestações do mal-estar.
A obra propõe uma arqueologia da psicanálise no Brasil, revisitando suas teorias e confrontando-as com as particularidades da brasilidade. O autor introduz um conceito psicanalítico de sofrimento que o compreende como uma resposta às configurações de época, intrinsecamente ligado aos processos de reconhecimento social. Para Dunker, o mal-estar surge da perda de experiências de formas de vida ainda não reconhecidas, e as patologias refletem bloqueios ou contradições não elaboradas.
Desafiando a lógica do "capitalismo à brasileira" que define as fronteiras entre mal-estar, sofrimento e sintoma, o livro convida a uma profunda reflexão sobre a colonização da existência. Dunker sugere a reconstrução de nossas formas de vida, incorporando perspectivas como o animismo ameríndio e o "xamanismo transversal", que oferecem alternativas à busca de um "sucesso biopoliticamente administrado" e promovem uma teoria do reconhecimento mais inclusiva e contingente.
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